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EDITORIAL – Nós, os do bem

Adolf Eichmann, sendo julgado em Israel.

(João Lemes)* Uma coisa tem me angustiado. É a capacidade que temos de julgar e de sempre achar que os outros é que não prestam, que são do mal. Leis só servem para eles. Pode até haver pena de morte. Nem tô. Só vai matar a eles. Afinal, nós nunca vamos errar. Nem nossos filhos. Somos do bem. Eles é que são do mal.

A filósofa Hannah Arendt (1906 – 1975) descreveu a “banalidade do mal”. Ela assistiu ao julgamento de Adolf Eichmann, um nazista que mandou milhares para as câmaras de gás. No entanto, era tido como cidadão de bem do seu tempo. Um servidor público zelando por seu país. Daqueles que antes de dormir abençoava os filhos. Daqueles que bem cedo já estava a queimar irmãos judeus.

No dia do seu julgamento, Eichmann falou ao júri que ninguém poderia julgá-lo. Ele não era do mal. Apenas cumpriu ordens. E quanto muitos diziam que ele era um monstro, nossa Hannah Arendt disse o contrário; ele é um servidor público normal, “terrivelmente normal”.

Como a maioria das pessoas, Eichmann não tinha o menor traço de maldade. Sabem por quê? Porque o mal foi banalizado e mais ninguém o enxergava. Foi um tempo terrível e que hoje ainda pode ser considerado correto pelas mentes de alguns. Dividam? Eu não. Essa é minha angústia. Meu medo de que os ditos do bem matem todos os ditos do mal e, mesmo assim, não eliminem os assassinos do mundo. E você, seria capaz de me dizer se é do bem ou do mal?*(Jornalista, mestre e doutorando em educação)

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2 Comentários

  1. Não vou responder a sua pergunta porque não acho correto ser juiz de mim mesmo. Apenas quero acrescentar um novo perfil que você parece não detectar e que me preocupa tanto quanto os outros. São aqueles que se julgam acima do bem e do mal. Podem dar sentenças de condenação e absolvição conforme seus próprios conceitos, principalmente quando tem meios mais apropriados ao seu alcance que o cidadão comum, ou julgam que esconder-se através do anonimato ou de pseudônimos é apenas uma brincadeira.

  2. Afinal somos todos do reino animal, a selvageria esta em nosso sangue, sempre carregaremos isto conosco, os bons podem se tornar maus, afinal nós todos nos corromperemos em algum momento da vida, vejam o exemplo em redes sociais a todo o momento temos pessoas criticando outras como se elas fossem corretas, mas afinal nunca sabemos ao certo o que é certo e o que é errado, assim como sempre teremos as duas polaridades + e – .

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